21 | abril | 2023

cravos de abril

                                                                                                                                                                   Foto retirada da internet, autor desconhecido

Liberdade!

25 de abril de 2023

 

É num mundo em convulsão que no próximo dia 25 de abril, vamos comemorar 49 anos da data mais significativa de sempre da história de Portugal.

Para quem viveu esse dia libertador fácil é encontrar a diferença entre um país soturno, cinzento, mesmo bafiento, com um regime político que não se importava de enviar para morrer e estropiar numa guerra injusta, milhares e milhares de jovens  [1], enquanto muitos outros eram obrigados a emigrar [2] para, com isso, melhorarem os seus parcos recursos que nem uma subsistência digna permitiam.

 

Para quem nasceu depois dessa data, terá certamente muita dificuldade em imaginar uma sociedade monolítica, onde a mulher não tinha os mesmos direitos políticos e sociais que o homem, onde a liberdade de expressão era somente um pensamento que motivava quem queria mudar o regime, onde a censura imperava pelos mais comezinhos motivos ou instantes, onde em suma, nada do que hoje sucede em democracia, em todos os seus aspetos, elogiáveis ou criticáveis, era possível.

Estamos hoje, pese os arautos da maledicência, que nada é comparável ao Portugal de então. Ganhámos a liberdade e temos de a manter, sabendo discernir o essencial do acessório, lutando diariamente pela ética e transparência em todos os atos da sociedade civil, erguendo uma barreira contra os extremismos que invocando pretensas defesas da honra, mais não pretendem que, podendo ser poder, fazer-nos voltar ao país soturno, cinzento e bafiento que os motiva.

chaimiti

 Praça Dom João da Câmara, Lisboa, 25 de abril de 1974, Fotógrafo não identificado, Jornal Diário de Notícias, in AML - foto retirada do blogspot Lisboa de Antigamente

 

E se este despertar de consciência é fundamental entre portas, é igualmente crucial que estejamos do lado daqueles e daquelas que querem a paz no mundo, não uma paz imposta pelos mais fortes contra os mais fracos através da utilização das armas, como é a bárbara invasão da Ucrânia pela Rússia, mas uma paz que reconheça, nos princípios fundamentais da Carta das Nações Unidas, o respeito integral pelas fronteiras das Nações soberanas e a abstenção do uso da força contra estas.

Uns e outros extremismos, internos ou externos, vistam-se eles das cores que entendam, são infelizmente o vírus para o qual somente possuímos uma imunização: a de exercer e obrigar a exercer a democracia, em todos os aspetos e locais da nossa vida, enquanto detentores plenos da cidadania conquistada em 25 de abril de 1974.

Viva a Liberdade! Viva o 25 de abril!

 

[1] Cerca de 10.400 mortos, 117 mil feridos, dos quais 32.500 graves com 14.000 deficientes somente entre cidadãos portugueses.

[2] Estima-se, sendo um valor por baixo, que durante o período da guerra colonial emigraram 908 mil portugueses.

 

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